Cheikh Anta Diop

Cheikh Anta Diop nasceu em 29 de dezembro de 1923, na região de Diourbel (Baal-Cayor), em Caytu, aproximadamente a 150 km ao Leste de Dacar, no Senegal. Sua família pertence a uma linhagem originária de Koki, perto da cidade de Louga. O pai de Cheikh Anta Diop, Massamba Diop faleceu logo após o nascimento do seu filho. Sua mãe, Magatte Diop, faleceu em 1984. O prenome “Cheikh Anta” que foi dado ao único filho, é aquele de seu tio materno por aliança Cheikh Anta M’Backé, um dos irmãos mais jovens de Cheikh Ahmadou Bamba (1851-1927), o fundador da irmandade muçulmana Mourida, no Senegal.

Aos quatro ou cinco anos de idade, Cheikh Anta Diop foi mandado para a escola corânica em Koki. Depois, foi matriculado na escola francesa, Escola regional de Diourbel, hoje Escola Ibrahima Thioye. Em 1937, ele obteve seu diploma de estudos primários. No mesmo ano, muda-se de Diourbel para Dacar afim de entrar no Liceu Van Vallenhover (Liceu Lamine Guèye). Em 1945, diploma-se em Matemática (Julho) e logo depois em Filosofia (Outubro). Este duplo certificado é a marca de uma grande curiosidade intelectual e de uma vontade em se dotar de uma dupla formação: em ciências exatas e em ciências humanas.

Em 1946, pretendendo realizar estudos universitários, Cheikh Anta Diop embarca para a França.

OS ANOS DE ESTUDOS NA FRANÇA

Matriculado na Sorbonne, ele obteve sua Graduação em Filosofia em 1948, e dois anos mais tarde dois outros certificados, respectivamente, de Química geral e Química aplicada. No decurso dos anos 1950, Cheikh Anta Diop começa uma especialização em Química nuclear e Física nuclear no Laboratório Curie do Instituto do radium, sob a condução de Frédéric Joliot-Curie (1900-1958) cientista francês que assumira a direção em 1956. Durante a segunda metade desta década, Chehk Anta Diop leciona Física e Química no Liceu Voltaire e no Liceu Claude Bernard, em Paris, na função de professor-auxiliar.

Paralelamente, ele prossegue suas pesquisas em Linguística, em História e em egiptologia que resultam em seu primeiro livro: Nações negras e CulturaDa antiguidade negra egípcia aos problemas culturais da África negra, hoje, em 1954, pelas Edições Presença Africana, criadas em Paris, por Alioune Diop (em 1947).

Este livro funda, verdadeiramente, as humanidades africanas, sobre uma base científica: ele terá o efeito de uma bomba neste período marcado por uma ideologia racista e pela luta dos Africanos para libertarse do jugo colonial.

Em 1960, ele defende, na Sorbonne, seu doutorado de Estado em Letras com a tese centrada no estudo da África negra pré-colonial (história, organização sociopolítica e econômica…) e unidade cultural da África negra.

Retornando ao Senegal com sua família, Cheikh Anta Diop é designado para o Instituto Francês da África Negra (IFAN, renomeado posteriormente como Instituto Fundamental da África Negra) da Universidade de Dacar, instituto então dirigido por Théodore Monod. Ele começa, então, a criar um laboratório de datação de amostras arqueológicas pelo método do Carbono 14 (ou radiocarbono). Inúmeros domínios se beneficiam da existência de semelhante laboratório: a arqueologia, a pré-história, a história, a geologia, a climatologia… Após ter acompanhado a construção deste instituto, de 1963 a 1966, ele o dirigirá até 1986, sempre conservando relações de trabalho com o laboratório homólogo do CNRS/ CEA de Gif-sur-Yvette, na França, onde havia feito sua formação neste domínio particular da aplicação de muito baixas radioatividades.

Em 1966, em Dacar, ele recebe, conjuntamente com William Edward Burghard Du Bois, o prêmio do 1º Festival de Artes Negras, recompensando o escritor que exerceu a maior influência sobre o pensamento negro do Século XX. A inteligência da África e sua diáspora quiseram mostrar ao mundo a dimensão excepcional das obras dos dois laureados e o papel determinante que suas obras continuarão muito tempo a desempenhar no despertar do continente.

Cheikh Anta Diop prosseguiu suas pesquisas em pré-história (a origem do homem e suas migrações) em egiptologia, em linguística africana, em antropologia, sobre a contribuição da África para a civilização. No âmbito da UNESCO, então dirigida por Ahmadou Mahtar M’ Bow, ele contribui de maneira decisiva para a redação da História Geral da África com inúmeros outros eminentes historiadores africanos a exemplo de Théophile Obenga, Sékéné Mody Cissoko, Djibril Tamsir Niane, Joseph Ki Zerbo, etc. É neste quadro, em particular, e atendendo ao pedido de Cheikh Anta Diop que a UNESCO organizou, em 1974, no Cairo, um colóquio consagrado ao antigo Egito.

As recomendações deste colóquio “histórico” que reuniu cientistas que estão dentre os mais eminentes especialistas mundiais, confirmaram a pertinência e a fecundidade dos trabalhos de Cheikh Anta Diop e de Théophile Obenga sobre a pertença do Egito faraônico ao universo negro-africano (Relatório do Colóquio o Povoamento do Egito antigo e a decifração da escritura meroítica, organizado sob a égide da UNESCO, Cairo, 28 de janeiro – 3 de fevereiro de 1974, In História Geral da África. Estudos e documentos 1, UNESCO, 1978; História geral da África, volume II, Paris, Jeune Afrique Stock, 1980, cf anexo e capítulo I “A Origem dos antigos egípcios”, p. 39-72)

Cheikh Anta Diop se bate também com a maior determinação para promover a pesquisa científica na África. Ele participa de inúmeros encontros internacionais (colóquios, congressos…) contribuindo assim para a presença intelectual e científica da África no cenário mundial. Ele é signatário do Apelo de Atenas contra o racismo e a discriminação racial, lançado em 1981, sob a égide da UNESCO, por intelectuais de renome do mundo todo.

Continua: AS PRINCIPAIS TEMÁTICAS TRATADAS POR CHEIKH ANTA DIOP

As principais temáticas tratadas por Cheikh Anta Diop

Fonte: Panorama historico da vida do pensamento e obra de Cheikh Anta Diop

 

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